Diocese de São João da Boa Vista     Caconde - SP

 

 

HISTÓRIA DA PARÓQUIA

         

              Segundo o historiador Adriano Campanhole, o dia exato da criação da Paróquia Santuário Nossa Senhora da Conceição em Caconde, junto ao Córrego do Bom Sucesso, é 02 de março de 1775, data da chegada do Padre Bueno de Azevedo no arraial. O primeiro livro de batizado, registrado na Cúria Diocesana de São João da Boa Vista, foi aberto e datado nesta data. Foi criada pelo Padre Francisco Bueno de Azevedo por determinação do Bispo Diocesano de São Paulo Dom Frei Manoel da Ressurreição e denominada: FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO BOM SUCESSO DAS CABECEIRAS RIO PARDO. O primeiro Batizado que se tem notícia data de 11 de junho do mesmo ano.

 

 

Abertura do Primeiro Livro de Batizados

02 de março de 1775

 

       Outra versão, permite que a Igreja adote a data de 19 de março de 1775, que vem sendo comemorada, fundamentada na citação do primeiro Historiador de Caconde, o Comendador José Umbelino Fernandes Júnior, que aponta o dia 19 como sendo o dia em que tomou posse nas suas funções o Pe. Francisco Bueno de Azevedo.

 

       A Paróquia surgiu em torno de um Novo Descoberto de ouro no ano de 1765, no Ribeirão Bom Sucesso afluente do Rio Pardo (a 14 quilômetros da cidade atual) sendo considerado descobridor das catas auríferas o Capitão Pedro Franco Quaresma. A primeira notícia da descoberta do ouro foi dada pelo sargento Jerônimo Dias Ribeiro em 20 de agosto de 1765, e a posse por parte da Capitânia de São Paulo foi efetuada em outubro desse ano, pelo Capitão Inácio da Silva Costa.

      A Paróquia de Caconde foi desmembrada da vigararia da Vara da Vila de São José de Mogi Mirim e, quanto ao paroquiato da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Campo de Mogi Guaçu.  De acordo com o Regimento das Minas, era obrigatório que cada descoberta de mina recebesse o nome do santo, ou santa de devoção do descobridor, por isso foi dedicada à Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Reino Português.

      O título de Nossa Senhora da Conceição como padroeira teve influência direta do rei de Portugal D. João IV. Quando Portugal se libertou do domínio da Espanha, o rei D. João IV, consagrou sua pessoa e toda sua família à Nossa Senhora da Conceição, elegendo-a como Padroeira de Portugal, Algarves e de todos os domínios. Para solenizar e concretizar esse ato, D. João IV colocou a coroa real aos pés de Nossa Senhora. Com esse gesto ele atribuía somente a ela às prerrogativas de soberana e rainha. A partir desse fato, a devoção à Nossa Senhora da Conceição difundiu-se por todos os lados, tendo surgido assim, no Brasil, várias localidades dedicadas à Nossa Senhora da Conceição.

 

 

Imagem de Nossa Senhora da Conceição,

de 1775.

 

       Entre 1799 à 1820, com a escassez do ouro, tanto no Bom Sucesso, quanto no Bom Jesus, houve a diminuição do povoado com a retirada dos mineradores, mas os que se dedicavam à agricultura permaneceram na terra e muitos outros vieram assenhorear-se do que restava, requerendo sesmarias, ou mesmo, obtendo glebas por compra e posse. Entre os anos de 1810 e 1811 verificaram-se numerosas posses e pedidos de sesmarias. O ciclo da agricultura predomina.

 

          Existiu núcleo populacional no Bom Sucesso, outro em São Mateus e outro ainda no Bom Jesus, mas a Igreja Matriz sempre esteve no Bom Sucesso. Permaneceu por alguns anos sem vigário e, eclesiasticamente, vinculada à Paróquia de Cabo Verde, como bairro do Bom Sucesso.

          Data de 27 de junho de 1820 o último falecimento registrado no livro de «enterramentos» no Cabo Verde e no Bom Sucesso. Nessa época, a antiga capela do Bom Sucesso se encontrava em ruínas e os moradores solicitaram a restauração da Freguesia ao visitador diocesano padre Antonio Marcos Henrique quando este passou em Cabo Verde em 08/08/1818, cuja provisão demorou-se até 28/06/1820, exatamente para coincidir com a ordenação do Padre Carlos Luís de Melo (1819) que iria servir em Caconde

          A iniciativa da restauração da Freguesia e pedido de patrocínio e obtenção de licença destinada a construção de nova capela é do capitão Alexandre Luis de Melo e do alferes Manoel Alves Moreira Barbosa, que em 29 de fevereiro de 1820 enviou uma carta, por ele assinada, ao capitão-mor de Mogi Mirim, José dos Santos Cruz.

 

           A provisão de levantamento da paróquia e de construção da nova matriz em local mais conveniente foi concedida por Dom Mateus de Abreu Pereira, bispo de São Paulo em 28/06/1820, que por mesma provisão encomendou o padre Carlos Luis de Melo para a realização das funções paroquiais em uma casa particular até que fosse concluída a nova capela.

           A Paróquia não possuía patrimônio para construção da Igreja, fizeram então a doação deste, Miguel da Silva Teixeira e sua mulher, Maria Antonia dos Santos. Doaram 103 alqueires de terras, correspondente a um quarto de légua em quadra, a Nossa Senhora da Conceição, para construção da nova Igreja Matriz, em 28 de dezembro de 1822. Os doadores possuíam no total 1.022 alqueires de terra.

            Doado o terreno, inicia-se a construção da Igreja Matriz, no local onde está hoje. A 08 de outubro, foi passada nova provisão ao vigário. A provisão de funcionamento da Igreja é de maio de 1824 conforme os documentos da Cúria Metropolitana de São Paulo.

 

        Diz a tradição que a primeira missa em Caconde, foi celebrada em 24 de dezembro de 1824 (data errônea, visto que o Padre Carlos Luis de Melo celebrava em uma casa particular), mas nesse dia foi celebrada somente a missa de inauguração do altar-mor da Igreja Matriz, que abrigava os fiéis.

      Em 1828, a Igreja Matriz obtivera provisão e benção e compunha-se, unicamente, de capela-mor.

        

       Respondendo a um questionário formulado pelo Bispo Diocesano de São Paulo, Dom José de Camargos, em 21 de dezembro de 1904, o Padre Manoel Theotônio de Macedo Sampaio conta como nasceu a Freguesia e a Povoação e enviou junto um mapa cartográfico organizado e assinado em 1904 pelo engenheiro Dr. José Maria de Lacerda, a pedido do Padre Sampaio, e no qual ficavam demarcados o município e Paróquia de Caconde. Consta, ainda, do mesmo documento redigido com minúcias e zelo, que Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, como Bispo de São Paulo, à qual estava vinculada a paróquia, esteve dez dias nesta cidade de Caconde ministrando o Crisma geral.

    

       Como vemos numa antiga fotografia datada de 1909 e registro de antigos documentos da Câmara Municipal, a primitiva matriz possuía uma porta frontal e duas portas de cada lado, com degraus de pedra. Era coberta de telhas e possuía duas torres. Na parte frontal três varandas, com um cruzeiro na frente e junto dele um chafariz.

 

 

Igreja Matriz em 1909

 

A Igreja passou por reformas no período de 1917 a 1920. Inicia-se, neste ano, a reforma das torres, desaparecendo as duas torres para construir apenas uma central, cuja obra terminou provavelmente em 1924, possivelmente para a comemoração do centenário da fundação da cidade e de sua primeira missa.

 

 

Igreja Matriz em 1924 -  I Centenário de Caconde

 

 Em 8 de dezembro de 1939, festa da padroeira, a Igreja contava novamente com duas torres arredondadas, inauguradas nesse dia.

 

 

Igreja Matriz em 1939

 

               A pedido duma comissão presidida primeiramente pelo Padre Nivardo e depois pelo Padre Pedro Jarussi em junho de 1955, começa a reforma das duas torres que foram modificadas junto com a parte interne e externa (naves laterais) para alcançar, então, o estilo românico puro que ostenta até os dias atuais, seguindo o projeto do arquiteto Bruno Simões Magro, que era professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma Universidade.

 

 

Igreja Matriz em agosto de 1956

 

 

 

Igreja Matriz em 1966

 

      A Igreja Matriz, foi inaugurada e Sagrada por Dom Tomás Vaquero, Bispo de São João da Boa Vista, em 19 de março de 1975, quando a paróquia festejou o bicentenário de sua fundação.

    «Antes de concluída – diz Hugo Mazzilli, que participou da Comissão de reforma – a importante obra da reforma da Igreja, foram estabelecidos contatos com o genial pintor Edmundo Migliaccio, cacondense, professor aposentado do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, e que desfrutava de prestígio invulgar por sua produção artística. Solicitamos-lhe a elaboração de três telas a óleo para a Igreja... Os trabalhos de Migliaccio, executados com inspiração divina, resultaram em três impressionantes obras de arte de rara beleza... É mister recordar-se que Migliaccio, em homenagem à sua terra natal, fez a doação da tela da Virgem Imaculada, como contribuição pessoal para as obras da Matriz».

 

 

 

Igreja Matriz em 1995

 

        No dia 7 de dezembro, nas I Vésperas da Festa da Imaculada Conceição de Maria, Sesquicentenário do Dogma, por ocasião dos 230 anos da fundação da Paróquia no Bom Sucesso, dos 180 anos da primeira missa (missa de inauguração do Altar da Matriz) e fundação de Caconde no local onde se encontra hoje e também dos 30 anos da Benção e Sagração do novo altar da Igreja Matriz, Dom Davi Dias Pimentel, Bispo Diocesano de São João da Boa Vista, concede por decreto a elevação da Paróquia Imaculada Conceição ao título de “Santuário Imaculada Conceição”.

         

Elevação à Santuário, dez. 2004.

          Na Festa de Elevação à Santuário, logo após solene Procissão Luminosa seguiu-se a Celebração Eucarística, presidida pelo Sr. Bispo, na qual fez-se leitura e aclamação do Decreto Diocesano, com a solene entrada no Neo Santuário precedida pela antiga Imagem de Nossa Senhora da Conceição datada de 1775, que presidiu a fundação da Paróquia naquele ano; seguindo após esta a assinatura da Ata no Livro do Tombo, pelos presentes: Bispo Diocesano, pároco-reitor, vigário, padres concelebrantes, religiosas do Instituto Beatíssima Virgem Maria, seminaristas, autoridades civis e militares e grande número de fiéis.

Santuário Imaculada Conceição em 2004

          E à partir do dia 26 de outubro de 2006, entra em perpétuo Vínculo de Afinidade Espiritual (Vinculi Adfinitatis Spiritalis) com a Patriarcal e Sacrosancta Basílica de Santa Maria Maior em Roma, gozando dos mesmos privilégios de indulgências plenárias de que goza a própria Basílica de Santa Maria Maior.

Súplica pelo Templo e pelo Povo

         No dia 8 de dezembro de 2006, durante a Solene Celebração Eucarística, na Festa da Imaculada Conceição, nossa Padroeira, foi feita a Proclamação do Vínculo através da professora e catequista Sra. Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva, que fez a leitura e tradução do latim dos documentos da Penitenciaria Apostólica e da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, enviados de Roma por Sua Eminência Reverendíssima Dom Bernard Low, Cardeal Arquipresbítero da Patriarcal Basílica Liberiana. Logo após a leitura e tradução, o Reitor do Santuário fez uma Oração Bíblica de súplica pelo Templo e por todo o Povo, que em seguida, adentrou ao Santuário para lucrar a sua primeira indulgência plenária.

              O desejo de que o Santuário passasse à dignidade de Basílica foi uma atitude comum do Conselho Paroquial de Pastoral, em primeiro lugar, do Reitor, o Padre José Ivan, seguido pelos Vigários Paroquiais (Pe. Ricardo e na ocasião também o Pe. Zézinho), e depois do presidente do Conselho, na ocasião, o saudoso Professor Manoel Roberto Fernandes da Silva. Teve também, a confirmação pelas Irmãs da Congregação de Jesus e o parecer dos representantes de movimentos e pastorais da Paróquia.

            O pedido foi aprovado por Dom David Dias Pimentel, Bispo Diocesano, e depois encaminhado para a aprovação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CBBB). Aprovado também pela CNBB, foi enfim, enviado à Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos na Santa Sé em Roma, e ali por um ano e três meses foi analisado pelos peritos que o aprovaram em 12 de agosto de 2008. Na elaboração deste processo, trabalharam diligentemente o Prof. Manoel Roberto e a Prof. Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva; o Padre Valdeir dos Santos Goulart, que solicitou a aprovação da CNBB, e a Irmã Eunice da Congregação de Santo André em São João da Boa Vista, que corrigiu os documentos. O Seminarista Ricardo Ramos  elaborou  dois compêndios, um histórico e outro pastoral, e ajudou a  responder um questionário de mais de duzentas perguntas que foram traduzidas para o latim (língua oficial da Igreja Católica Romana) pela Professora Celinha.

            A Solene Concelebração Eucarística de elevação do Santuário à dignidade de Basílica Menor aconteceu em 25 de janeiro de 2009, na Festa da Conversão de São Paulo. Foi presidida por Dom David Dias Pimentel, Bispo Diocesano, com a participação de diversos padres, seminaristas, religiosas,  de autoridades civis e militares e grande número de fiéis que preencheram a Praça Ranieri Mazzilli. No Altar da nova Basílica fora postas as insígnias basilicais: o tintinábulo e a umbela. Foi também confeccionado um brasão heráldico e a venerada imagem de Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso, Padroeira Principal de Caconde, passou a figurar em um belíssimo trono em um dos nichos principais  da Basílica.

 

Tintinábulo

                         A partir de janeiro de 2009, por Decreto Diocesano de S.E.R. Dom David Dias Pimentel, Bispo de São João da Boa Vista, a Paróquia de Caconde, por motivos históricos e espirituais, voltou a chamar-se, eclesiástica e civilmente, PARÓQUIA SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO BOM SUCESSO DE CACONDE, tendo por sede e Igreja Matriz a BASÍLICA SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO BOM SUCESSO.

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