Comentário ao livro “Caconde e a Revolução Paulista”,

de Antonio Fernandes Gonçalves, publicado em 1933.

 

           Em seqüência aos trabalhos que tomamos por iniciativa de fazer, isto é, o de recuperar documentos, fotos, livros e quaisquer outros dados que versam sobre a História de Caconde, concluímos assim, a digitalização do livro “Caconde e a Revolução Paulista” de Antonio Fernandes Gonçalves, publicado em Caconde, pela Tipografia Tigani no ano de 1933. Feita “sob o influxo do civismo para a posteridade”, como sentencia o seu próprio autor, é uma obra escrita de forma rebuscada, romanceada e chega a atingir certo grau “épico” no desenrolar da narrativa.

           Testemunha ocular dos fatos, Antonio Fernandes, fez questão de narrá-los com um “único imperativo: sua finalidade histórica”. Não temos aqui, o objetivo de discutir a veracidade dos fatos contados, porque pelo que nos parece, há certos fatos narrados com demasiada ênfase romanesca. Todavia, sem sombra de dúvida, a narração de Antonio Fernandes contém registros verazes, seu livro está registrado oficialmente entre os livros da bibliografia da Revolução Constitucionalista e constitui em si um útil repositório de informações. É também, uma ilustração daqueles tempos de Revolução, que nos permite vislumbrar o patriotismo de nosso povo ao defender os seus ideais chegando muitas vezes ao sacrifício da própria vida.

           Ao lê-lo, podemos entrever a euforia do povo ao receber as tropas Constitucionalistas; a angustia e o medo sentidos quando da ocupação ditatorial; a coragem dos civis ao empunhar armas por São Paulo; a apreensão de Dona Ida Mates ao esconder soldados paulistas no porão de sua casa; a escuta atenciosa dos discursos apelativos para a defesa de São Paulo; a iniciativa dos jovens e estudantes, bem, como a figura de Alcides Vargas e a do famoso coletor estadual Ranieri Mazzilli; a consternação diante da Imagem de São Roque atingida e a sua aclamação como “glorioso defensor de Caconde”; e enfim, podemos desvelar as nossas raízes e tomarmos par dos sentimentos e arquétipos que nossos antepassados cultuavam como o fundamento de toda civilização.

         Destarte, o que pretendemos ao digitalizar este livro é dispô-lo ao conhecimento do público cacondense, e assim conscientizar nosso povo da necessidade de preservação de nossa identidade histórica. Assim, dispomo-lo na íntegra, com notas marginais e alguns comentários, que julgamos necessários para a compreensão de certas passagens e um maior conhecimento dos eventos históricos locais.

           Agradecemos especialmente à Secretaria Municipal de Educação, que gentilmente na pessoa do senhor José Armando, nos cedeu uma cópia em xérox do livro, e assim, possibilitou a realização deste trabalho.

 

Voltar