Diocese de São João da Boa Vista  - Caconde - SP.

 

COMENTÁRIO À PRIMEIRA SÍNTESE HISTÓRICA DE CACONDE, INTITULADA: "POLYANTHÉA"

FEITA PELO COMENDADOR JOSÉ UMBELINO FERNANDES JÚNIOR

E PUBLICADA EM 24 DE DEZEMBRO DE 1924, NO JORNAL "A SENTINELA".

A "Polyanthéa" do Comendador  José Umbelino

 

      O Povo Cacondense aguardava com a maior expectativa o ano de 1924. O motivo dessa espera era a de celebrar festivamente a tão gloriosa data do aniversário dos 100 anos da fundação de Caconde e de sua primeira Missa.

      A praça Rui Barbosa, atual Praça Ranieri Mazzilli, e a Igreja Matriz haviam sido reformadas e estavam magníficas para esse grande acontecimento.

 

 

Igreja Matriz em 1924

 

     O ativo Padre João Miguel de Angelis era o redator do jornal "A Sentinela", que para dezembro desse ano, estava preparando a publicação da primeira Resenha Histórica de Caconde, contando para isso, com a preciosa ajuda dos alunos e da oficina tipográfica da Escola Profissional fundada pelo próprio Padre Angelis, cujo nome, homenageava o ilustre Comendador José Umbelino Fernandes Júnior. Esta resenha, já há algum tempo, estava a cargo do talento do próprio Comendador.

 

   José Umbelino era escritor, poeta, advogado, historiador, pintor, músico e jornalista (tendo escrito sob o pseudônimo de "Nobélium" vários artigos e crônicas paras os principais jornais de São Paulo).   Natural de Batatais, nasceu a 1º de janeiro de 1856 e veio a falecer em 21 de outubro de 1929, em Caconde.

      

   Dele, escreveu Adriano Campanhole citando a “Revista Ilustrada” do Rio de Janeiro, ano 13, n.º 529, de 29 de dezembro de 1883 que publicou os seguintes versos, assinados pelo Padre Correia de Almeida:

 

“O governo deu comenda

por serviços relevantes

a um herói de Caconde,

herói digno de Cervantes.

Foi-lhe feita essa encomenda

por intermédio de um Conde.

Mas quando o condecorou

até o conde corou".

 

      Provavelmente, foi a partir desse ano que José Umbelino Fernandes Júnior recebeu a sua comenda. Daí por diante passa a ser conhecido apenas por "Comendador" e assim também se assinava.

  

Gostava ele, de criar pássaros e possuía em sua chácara um pequeno zoológico onde os pavões era o objeto  de grande admiração das crianças.

 

      Encontramos em nossos arquivos, um exemplar de um antigo jornal "Cidade de Caconde", datado de 7 de novembro de 1929, que nos dá em primeira mão a notícia do seu falecimento e nos expõe um pouco mais da sua biografia:

     Veio para Caconde com a idade de 15 anos.  Era filho de José Umbelino Fernandes e de dona Generosa Maria Fernandes. Foi secretário da Câmara Municipal, ocupando depois os postos de tabelião, Presidente da mesma Câmara e Juiz de Paz. Mais tarde já no período republicano foi Prefeito Municipal. Advogou durante muito tempo no fórum local. No período Imperial, foi chefe do Partido Católico e esposou a causa abolicionista, sendo condecorado por Dom Pedro II com a comenda, pouco tempo depois de sua visita ao monarca, quando este esteve em Poços de Caldas. Conhecia bem o latim, inglês e francês. Seu corpo foi exposto na Câmara Municipal, onde houve visitas de personalidades importantes. Discursou no seu funeral o seu amigo de longa data e grande companheiro na carreira política o Dr. Francisco Cândido da Silva Lobo, ressaltando a personalidade nobre do Comendador e os seus feitos notáveis em favor de Caconde.

    No seu sepultamento, estava presente no exercício de seu sacerdócio o Vigário Padre Sebastião do Espírito Santo Lessa. Segundo o jornal, tendo falecido com a idade de 74 anos, o velho Comendador foi figura que personificou Caconde durante muito tempo.

    Diz o mesmo jornal, que sua vida foi um exemplo do esforço, servindo de estímulos àqueles que privados de fortuna para se elevarem na sociedade necessitam estudar sem nenhum auxílio; o Comendador estudava muito. O seu amor pela história local e pela cidade de Caconde ficará impregnado em toda a sua cronologia.

  Caconde para ele foi, a terra acolhedora e como nas suas próprias palavras: "a estância de sua última morada".

 

  A lei nº 38, de 18 de agosto de 1943 homenageou-o, dando a uma rua de Caconde o seu nome.

 

 

Comendador José Umbelino

Foto de a "Polyanthéa"

   

    A sua "Polyanthéa", que por ora, passamos a dispor neste site (texto original por nós copilado), foi contemplada por Adriano Campanhole como "um trabalho de esforço e tenacidade que merecem a nossa admiração e constituem um "útil repositório de informações, porém pecando pela dispersão e falta de unidade dos dados".

 

  Segundo Campanhole, o Comendador, não costumava citar as fontes de suas citações, tendo feito recortes em vários documentos para os clichês de sua Resenha. Fiou-se também em "uns restos de tradição oral" para compô-la.

     O seu relato sobre a Missa do Natal de 1824 como a primeira missa de Caconde, foi mais tarde testificado por Campanhole, como sendo somente a Missa de inauguração do Altar-mor da Igreja Matriz, visto que a provisão de funcionamento da Igreja é de maio de 1824 e que pela provisão de vigário do Padre Carlos de Mello ele estava autorizado a celebrar missas em uma casa particular até a construção e e provisão de benção da nova Igreja.     

   Cometeu também, um lapso na data da restauração de Caconde no local onde se encontra hoje, cuja provisão é de 28 de junho de 1820, dada por Dom Mateus de Abreu Pereira, Bispo de São Paulo.

  

   A data de 19 de março comemorada como dia da Fundação da Paróquia no Bom Sucesso vem de sua citação como o dia em que tomou posse nas funções de pároco o Pe. Francisco Bueno de Azevedo.

     

 

Capa do Jornal "A Sentinela"

Publicado em 24 de dezembro de 1924

 

     Hoje, este jornal "A Sentinela", que foi publicado como uma revista ilustrada, é sem dúvida mais do que um útil repositório de informações.

    O exemplar que conseguimos salvar da corrosão do tempo é em suma, o testemunho de pessoas que no passado fizeram grandes esforços para conservar nossa história.

    É também sem dúvida um "mural histórico" que juntamente com o Obelisco Centenário que se encontra na Praça Coronel Joaquim José e a Rua 24 de Dezembro, nos revelam em seu conteúdo a literatura, o folclore, a cultura, as ruas e praças da cidade e diversas personalidades da época.

   Ele nos permite vislumbrar o que significou e representou para aquele tempo a comemoração do I Centenário de Caconde e assim, podermos ter uma idéia de como pensavam e viviam nossos antepassados.

 

 

Altar da Igreja Matriz em 1924

Foto de a "Polyanthéa"

 

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