Diocese de São João da Boa Vista  - Caconde - SP

 

 

QUADRO CRONOLÓGICO DOS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS

DA CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

DA FREGUEZIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

DO BOM SUCESSO DAS CABECEIRAS DO RIO PARDO

                             CACONDE – SP                              

DE 1722 A 1900

* os textos em azul com grifo referem-se a links de fotografias (clique neles para visualização)

1722
CAMINHO DOS GOIASES

Com a passagem da bandeira do Capitão Bartolomeu Bueno da Silva é aberta a estrada para Goiás.

1731

 A Carta Régia de 9 de setembro de 1726, concede a Anhanguera o direito de passagens sobre os rios entre São Paulo e as minas de Goiás. E nesse ano de 1731, a Coroa lhe antecipou os direitos de passagens nos rios Jaguari, Atibaia, Jaguari-Açu, Jaguari-Mirím, Rio Pardo, Rio Grande ou Paraná, Rio das Velhas, Parnaíba e Corumbá.

 

AS ANDANÇAS PAULISTAS

1755

CAP. PEDRO FRANCO QUARESMA DESCOBRE OURO NO SERTÃO DO RIO GRANDE

DESCOBRIDOR

Há as andanças paulistas, nas quais giravam por toda a parte o Cap. Pedro Franco Quaresma, Francisco Vieira da Costa, Manoel Siqueira Gil, João do Prado Martins e Antônio Machado.

O Cap. Pedro Franco Quaresma entra no "Sertão do Rio Grande", e a 7 de outubro desse mesmo ano a Câmara de Jundiaí toma posse da paragem chamada "Borda do Mato" (situado no atual Município de Mococa), descoberto de minas de ouro, pelo mesmo Pedro Franco Quaresma, também descobridor do Arraial de Jacuí nesse mesmo ano. Estava ele assim, bem próximo da região de Caconde, sendo ele, citado nos documentos modernos como descobridor.

MORGADO DE MATEUS

 

1765

NOTÍCIA DA DESCOBERTA DE OURO NO BOM SUCESSO

É nomeado D. Luís Antônio de Souza Botelho e Mourão, Morgado de Mateus, para governador e capitão-general da Capitania de São Paulo. Foi no seu governo que se espalhou a notícia de ouro no Bom Sucesso, a 14 quilômetros do centro da atual cidade de Caconde.

A primeira notícia da descoberta de ouro no Bom Sucesso, foi dada pelo Sargento Jerônimo Dias Ribeiro, em 20 de agosto desse ano a D. Luís Alexandre de Souza Menezes, governador de Santos. Foi provavelmente em outubro que se efetuou a posse do descoberto por parte de São Paulo, através do Capitão Inácio da Silva Costa.

NOVA POSSE DO DESCOBERTO

 

 

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO PADROEIRA DO NOVO DESCOBERTO

 

 

1772

 

A LUTA CONTRA OS “GERALISTAS”

 

 

REPARTIÇÃO DAS TERRAS DO NOVO DESCOBERTO

Os Oficiais da Câmara de Mogi Mirim, incorporados tomam posse no Descoberto de Nossa Senhora da Conceição do Rio Pardo e disso lavram ata, no dia 30 de novembro.

Descoberto o ouro no Bom Sucesso, deu-se imediatamente ao local o nome da Padroeira, que segundo o Regimento das Minas de 1769 (art. 2.º) devia receber o nome do santo da devoção do descobridor. O nome de Nossa Senhora da Conceição em tantas localidades do Brasil explica-se ao fato de D. João IV, primeiro rei da Dinastia de Bragança,  ter colocado a coroa real aos pés de N. Sra. da Conceição de Viçosa, elegendo-a Rainha e Padroeira de Portugal e todos os seus domínios.

A luta no sertão do Rio Pardo era árdua, as constantes contendas entre os mineiros (dos "geralistas", que queriam tomar posse até de Mogi-Guaçu) e os paulistas pela posse dos descobertos e sobre a questão das divisas das duas Capitanias, chegavam a gerar inúmeros conflitos violentos. Há a informação, que já nesse ano, os paulistas haviam postado uma guarda em São Mateus.

Por ordem de D. Luís Antônio de Souza, são repartidas as terras do Descoberto em 27 de fevereiro desse ano.

O ALFERES JERÔNIMO DIAS RIBEIRO

COMANDANTE DO

REGISTRO DO BOM SUCESSO

 

 

 

O PRIMEIRO LIVRO DE BATIZADOS

 

 

 

 

CRIAÇÃO DA FREGUEZIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO BOM SUCESSO DO RIO PARDO

 

 

 

 

 

1775

 

 

 

A TRADIÇÃO CATÓLICA VERSADA EM UMBELINO FERNANDES

 

 

AS PRIMEIRAS DIVISAS DA NOVA FREGUEZIA

 

DESMEMBRAMENTO DA VIGARARIA E PAROQUIATO

 

O PRIMEIRO BATIZADO

Passa a comandar o Registro instalado no Descoberto de Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso do Rio Pardo, sede da nova Freguezia, o Alferes Jerônimo Dias Ribeiro. Grande sertanista, por mais de 60 anos lutou na defesa da Capitania de São Paulo.

O primeiro códice cacondense, é o primeiro Livro de Batizados, que foi aberto em 02 de março desse ano no "Arraial do Rio Pardo", pelo primeiro pároco, Padre Francisco Bueno de Azevedo, fundador da Freguezia, por ordem de Dom Manuel da Ressurreição, 3.º Bispo de São Paulo. Segundo o historiador Adriano Campanhole, esta é a data em que deve ser considerada como dia da Fundação da Freguezia: 02 de março de 1775. Foi criada com o nome de "Freguezia de Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso do Rio Pardo", como consta na Provisão que foi dada pelo dito Bispo. (Já na documentação oficial, diferentemente da eclesiástica, costumava-se denominar "Freguezia de Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso das Cabeceiras do Rio Pardo").

A Tradição Católica celebra e considera a data da fundação da Freguezia no dia 19 de março. (Data citada pelo Comendador Umbelino Fernandes, como o dia em que tomou posse no seu cargo na nova Freguezia, o Padre Francisco Bueno de Azevedo).

As primeiras divisas foram traçadas pelo mesmo Bispo em 5 de novembro. A primeira Igreja Matriz, ficava nas proximidades do córrego do Bom Sucesso, distante 14 quilômetros da atual.

A Freguezia de Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso do Rio Pardo, foi desmembrada da vigararia de Mogi-Mirim e quanto ao paroquiato de Mogi-Guaçu.

O primeiro batizado que se tem notícia data de 11 de junho desse ano. Chamava-se Ana, a batizada, filha de Rosa, escrava do guarda-mor.

1778

REGISTRO DE SÃO MATEUS

NÚCLEOS POPULACIONAIS
 

Deslocação do Registro do Bom Sucesso para São Mateus, para o qual se dirige a comandar o Alferes Jerônimo Dias Ribeiro.

É evidente que houve núcleo populacional no Bom Sucesso, outro em São Mateus e ainda outro no Bom Jesus, mas a Igreja Matriz sempre esteve no Bom Sucesso.

1781

DESCOBRIMENTO DE OURO NA BARRA DO BOM JESUS

Neste ano, o alferes das Ordenanças da Companhia de Mogi-Guaçu, Inácio Preto de Morais foi um dos descobridores de ouro na Barra do Bom Jesus no lugar chamado Itaipavas do Rio Pardo.

No ano seguinte, em 15 de fevereiro, o Pe. Francisco toma posse dos barrancos do Rio Pardo, pelo poder Eclesiástico.

1785

PE. JOSÉ FERRAZ
 

Segundo arquivo paroquial, é pároco nesse ano, a partir de 12 de agosto o Pe. José Ferraz. (*)

1788
 

Último batizado assinado pelo Pe. Francisco a 24 de dezembro.

 

FALECIMENTO DO PE. FRANCISCO BUENO DE AZEVEDO

 

1789

 

FALECIMENTO

DE INÁCIO PRETO DE MORAIS

 Provavelmente depois de ter ser enfermado, faleceu nesse ano o Pe. Francisco B. Azevedo. O Pe. Francisco era um incansável ministro de Deus. Era natural de São Paulo, nasceu por volta de 1735 ou 1736, sendo filho de Maria Albuquerque e João do Prado Azevedo, descendia da família de Amador Bueno que foi aclamado rei de São Paulo em 1º de abril de 1641, e que rei não quis ser.

 Falece a 21 de janeiro, Inácio Preto de Morais, descobridor de ouro na Barra do Bom Jesus. Precedeu a Jerônimo Dias Ribeiro no comando do Registro de São Mateus.

FREGUEZIA E ANEXAÇÃO À PARÓQUIA DE CABO VERDE

 

 

  1799/1807

 

 

 

PE. ANTÔNIO JOÃO DE CARVALHO

 

FIM DO CICLO DO OURO E INÍCIO DO CICLO AGRO-PASTORIL

 

 

PE. INÁCIO DO PRADO RIBEIRO E SIQUEIRA

 

FALECIMENTO DE JERÔNIMO DIAS RIBEIRO

 

REQUERIMENTOS DE SESMARIAS

 

 INICIATIVA DE RESTAURAÇÃO DA FREGUEZIA

 

1820

 

PROVISÃO DE RESTAURAÇÃO DA FREGUEZIA E CONSTRUÇÃO DA NOVA IGREJA MATRIZ NO LOCAL ONDE SE ENCONTRA ATUALMENTE

 

É DADA PROVISÃO AO PADRE CARLOS LUÍS DE MELO

DATA CORRETA DA RESTAURAÇÃO DE CACONDE

Tendo falecido o padre Bueno de Azevedo e esgotadas as faisqueiras do ouro que fora apenas uma ilusão, a Freguezia entra em decadência. Eram poucos os mineradores e a maioria se dedicava ao cultivo das terras.

A Freguezia nunca se extinguiu nem mudou de lugar por causa da descoberta de ouro na Barra do Bom Jesus, como pensavam alguns.

A Freguezia e a Matriz ficaram eclesiasticamente vinculadas à Paróquia de Cabo Verde (Capitania de Minas Gerais), como bairro do Bom Sucesso. Data de 27 de junho de 1820 o último óbito no Bom Sucesso, com sepultamento em Cabo Verde. É a última referência a "enterramentos" no Cabo Verde e no Bom Sucesso.

Segundo o arquivo paroquial, é pároco nesta época a partir de agosto o Pe. Antônio João de Carvalho. (*)

Vê-se da documentação existente que a Freguezia não desapareceu, mas ao mesmo tempo em que entrava em decadência efetuavam-se a posse e a compra de terras de cultura, iniciando-se logo o ciclo agro-pastoril.

Segundo o arquivo paroquial, é pároco no ano de 1807 a partir de 16 de maio o Pe. Inácio do Prado Ribeiro e Siqueira.

Falece em 18 de julho de 1808, em São Mateus o Alferes Jerônimo Dias Ribeiro. Grande homem e sertanista, é uma das figuras mais importantes na História antiga de Caconde.

Entre os anos 1810 e 1811 há inúmeros requerimentos de sesmarias.

A iniciativa da restauração da Freguezia é do alferes Manoel Alves Moreira Barbosa e do capitão Alexandre Luís de Melo, que devem ter pedido ao visitador diocesano padre Antônio Marques Henrique, quando este passou em 8 de agosto de 1818 na Paróquia de Cabo Verde. Também, enviaram carta em 29 de fevereiro de 1820, ao capitão-mor de Mogi-Mirim, José dos Santos Cruz, pedindo patrocínio para obtenção de licença de construção de nova capela.

A Provisão de Restauração da antiga Freguezia e construção da Nova Matriz é dada por Dom Mateus de Abreu Pereira, Bispo de São Paulo, em 28 de junho de 1820. Na mesma Provisão encomenda ao padre Carlos Luís de Melo, que recebeu ordens em 1819, de celebrar os ofícios divinos em uma casa particular até o término da construção da Matriz. Segundo o historiador Adriano Campanhole a data da restauração de Caconde no local onde se encontra é da Provisão: 28 de junho de 1820, ao invés de 24 de dezembro de 1824 como afirma Umbelino Fernandes.

1822


DOAÇÃO DAS TERRAS DO PATRIMÔNIO À

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

POR MIGUEL DA SILVA TEIXEIRA

 E SUA MULHER MARIA ANTÔNIA DOS SANTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRA CASA DO PATRIMÔNIO

JUNTO AO CÓRREGO DO CEMITÉRIO

No dia 28 de dezembro, na Fazenda do Bom Jesus, o casal Miguel da Silva Teixeira e Maria Antônia dos Santos fazem a doação de um quarto de légua em quadra (na légua antiga de 6.600 metros ou 3.000 braças são 51, 5 alqueires de 48.000 m² - na légua atual de 6.600 metros, são 103 alqueires) à Padroeira Nossa Senhora da Conceição, para o Patrimônio da construção da Nova Matriz e restauração da Freguezia. Os doadores possuíam 1.022 alqueires. Miguel da Silva teve o mérito de ser o doador do Patrimônio, seu nome devia estar incluído entre os que assinaram a petição para restauração da Freguezia, é ele um dos fundadores e não o único fundador.

Foi feito um recenseamento pelo alferes Manoel Alves Moreira Barbosa. Verifica-se a existência de 110 fogos e 636 habitantes.

A primeira casa construída no Patrimônio de Caconde situava-se à margem direita do Córrego do Cemitério, no local então conhecido por Samambaia. Outras casas devem ter sido erguidas no local, pois a água facilitava a sobrevivência. A Casa pertenceu a Joaquim da Silva (alcunhado com apelido de “Guerra”), cujo mesmo diziam ser parente de Miguel da Silva. A edificação era de pau-a-pique, mas coberta de telhas.

AS MISSAS EM CASA PARTICULAR

CONSTRUÇÃO DA IGREJA

 

 

 

 

CAPITÃO DOMICIANO JOSÉ DE SOUZA

 

 

 

 1824

PRIMEIRA MISSA

SEGUNDO A TRADIÇÃO 

(Inauguração do Altar-Mor da Igreja Matriz)

Doado o terreno inicia-se a construção da nova Igreja Matriz. A provisão de funcionamento da Igreja é de maio de 1824. As missas e ofícios divinos até então, eram celebrados em casa particular pelo padre Carlos Luis de Melo.

Patente de Domiciano José de Souza a capitão das Ordenanças em 23 de novembro. É provável que ele tenha assistido a Missa de Natal na nova Freguezia.

Segundo a Tradição a primeira Missa em Caconde foi celebrada nas vésperas do Natal, em 24 de dezembro de 1824. Essa data é errônea, pois as missas eram celebradas em casa particular. Essa Missa das vésperas de Natal desse ano, a qual o historiador Umbelino Fernandes discorre longamente na sua resenha histórica de 1924, chamada "Poliantéia", foi sim, a Missa de inauguração do Altar-mor da Igreja Matriz e não a primeira missa celebrada na Freguezia ressurrecta.

1825

 

PADRE ANTÔNIO OLIVEIRA CARVALHO

 

ENTERROS NO ADRO DA IGREJA

(JARDIM DA PRAÇA)

A Matriz não estava inteiramente concluída, mas já abrigava os fiéis.

Segundo o arquivo paroquial, é pároco nesse ano o Pe. Antônio Oliveira Carvalho. (*)

O padre Carvalho, benzeu o cemitério no lugar da nova edificação da matriz, passando os sepultamentos a serem feitos no adro da Igreja, ou seja, na área ocupada pelo jardim atual.

1828

INÍCIO DA VIDA POLÍTICA

A Igreja Matriz já obtivera provisão e Benção, compunha-se unicamente de capela-mor. Contava o núcleo inicial com regular números de casas, sendo algumas cobertas de telhas. A população do povoado orçava por cem habitantes, sendo 1.600 em toda a Freguezia.

Início da vida política da Freguezia.

A Câmara de Mogi-Mirim nomeou em 6 de abril, o capitão Domiciano José de Souza para exercer o cargo de Juiz de Paz, e para suplente José Barbosa Guimarães, sendo eleito e provido no cargo de escrivão Joaquim Alves Moreira.

Em sessão extraordinária de 3 de maio a Câmara deferiu juramento às primeiras autoridades locais. Deu também a mesma Câmara à Freguezia de Caconde três eleitores paroquiais.

A 8 de dezembro realizaram-se na Igreja Matriz as primeiras eleições paroquiais, presidida a mesa pelo Juiz de Paz Domiciano de Souza e pelo padre Carlos Luís de Melo.

1830

PE JOSÉ BARBOSA DO NASCIMENTO

 

Segundo o arquivo paroquial, é pároco a partir de 20 de março o Pe. José Barbosa do Nascimento.

1832

Caconde possuía 283 fogos e 1.954 habitantes.

1833

FALECIMENTO DE MARIA ANTONIA DOS SANTOS, ESPOSA DE MIGUEL DA SILVA TEIXEIRA

Os eleitores paroquiais foram elevados ao número de 5.

 

A 12 de julho falece em Caconde, Maria Antônia dos Santos, esposa de Miguel da Silva Teixeira, doadora com ele dos terrenos para o Patrimônio da Nova Matriz.

1835

SEGUNDO ADRIANO CAMPANHOLE

O NOME CACONDE,

TEM ORIGEM NO NOME CACONDA DADO AOS NEGROS,

TAMBÉM CHAMADOS CACUNDAS, QUE SE ENCONTRAVAM NA REGIÃO

A denominação da Freguezia era instável na documentação oficial, enquanto na eclesiástica não variava muito. Vejam-se os recenseamentos de Mogi-Mirim a partir de 1778 e outros documentos do Governo e notar-se-á variação constante da denominação oficial, a par da intercalação da antonomásia: 1765 - Descoberto de Nossa Senhora da Conceição; 1775 - Descoberto de N. S. do Bom Sucesso das Cabeceiras do Rio Pardo; 1786 - Cacunda; 1797 - Caconda; 1798 - Arraial de N. S. do Bom Sucesso; 1799 - Paróquia de N. S. do Bom Jesus das Cabeceiras do Rio Pardo; - 1786 - Paróquia do Arraial de N. S. do Bom Sucesso das Cabeceiras do Rio Pardo; 1823 - Caconde; 1825 - Distrito da Freguezia de N. S. da Conceição de Caconde; 1826 - Freguezia de N. S. da Conceição do Rio Pardo; 1829 - Freguezia de N. S. da Conceição do Rio Pardo de Caconde; 1830 - idem; 1832 - Freguezia de Caconde. De 1835 em diante passa a ser apenas Caconde.

 

A par da instabilidade da grafia oficial, o nome popular vai ganhando terreno e se mistura, cada vez mais, a ponto de sobrepor-se ao primeiro. A palavra "Caconda", que deu "Caconde", não devia ser corrente por ocasião do descobrimento de ouro na região. O nome foi dado pelo branco conquistador ao encontrar ali os negros cacundas (também chamado "caconda", eram bons carregadores daí a palavra "cacunda" vir a significar "costas").

PRIMEIRA AUTORIDADE MUNICIPAL

MANOEL ALVES MOREIRA BARBOSA

 

1836

A 20 de janeiro, tomou posse perante a Câmara de Mogi-Mirim, a primeira autoridade municipal de Caconde, o vice-prefeito Manoel Alves Moreira Barbosa.

A Freguezia de Caconde passa a constituir de novo um único distrito, pelo que, em 12 de dezembro, procede-se a nova eleição para Juizes de Paz.

1838

A BENÇÃO DO CEMITÉRIO ANTIGO CITADA PELO COMENDADOR JOSÉ UMBELINO, EM  SUA RESENHA HISTÓRICA SOBRE CACONDE

 

Segundo o Comendador Umbelino, foi em 1º de março desse ano, que o Pe. José Barbosa do Nascimento benzeu o cemitério antigo no local chamado "Samambaia da Capela Nova". Adriano Campanhole, não diz nada a respeito desta data, apenas diz que  em 1879 ele já se encontra no local atual, mas é provável que esta data seja verídica, pois José Umbelino teve acesso ao Livro Tombo da Paróquia e nele devia constar a benção do cemitério que nessa época ficava sob a jurisdição da Igreja. Assim, o cemitério antigo tem atualmente 168 anos (*).

1840

O número de eleitores paroquiais é elevado a 8, e posteriormente para 9.

1841

DESMEMBRAMENTO DE MOGI-MIRIM E INCORPORAÇÃO À CASA BRANCA

Pela lei n.º 10, de 25 de fevereiro, a Freguezia foi desmembrada de Mogi-Mirim e incorporada à Casa Branca, elevada a vila pela mesma lei.

1842

FALECIMENTO DE MIGUEL DA SILVA TEIXEIRA, DOADOR DO PATRIMÔNIO DA NOVA MATRIZ

Provavelmente nesse ano, ou 1843, faleceu em Caldas Miguel da Silva Teixeira, doador com sua primeira mulher, Maria Antônia dos Santos, do Patrimônio da Nova Matriz. Ao falecer Miguel era proprietário da Fazenda do Engano, além do Rio Pardo.

1854

PROCLAMAÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO POR PIO IX

No dia 8 de dezembro o Santo Padre Papa Pio IX proclama solenemente o Dogma da profissão de fé na Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria. (*)

1859

PE. MANOEL JOAQUIM DAS DORES

Segundo o arquivo paroquial, a partir de 8 de outubro é pároco o Pe. Manoel Joaquim das Dores. (*)

1860

PE. ÂNGELO ALVES DA ASSUNÇÃO

Segundo o arquivo paroquial, a partir de 24 de setembro até o ano de 1869 é pároco o Pe. Ângelo Alves da Assunção. (*)

1861

FALECIMENTO DO CAPITÃO DOMICIANO JOSÉ DE SOUZA

Figura política de grande importância na História de Caconde, faleceu a 28 de outubro o Capitão Domiciano José de Souza, proprietário da Casa Grande da Soledade e irmão de Vigilato José de Souza (que foi juiz de paz em Caconde), os dois devem ter assinado a petição para a restauração da Freguezia de Caconde e devem ter assistido a Missa do Natal de 1824 em Caconde. Foi sepultado na primitiva Capela do Cemitério de Caconde.

1864

INSTALAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL E ELEVAÇÃO À CATEGORIA DE VILA

No dia 21 de janeiro de 1864 instalou-se a Câmara Municipal em sessão solene.

A lei n.º 6, de 5 de abril elevou a Freguezia de Caconde à categoria de Vila.

A 7 de setembro foi constituída na Igreja Matriz, a Mesa Paroquial da Nova Vila de Nossa Senhora da Conceição de Caconde, em sessão realizada na Igreja Matriz.

 

CRIAÇÃO DA AGÊNCIA DE CORREIO

 

GUERRA DO PARAGUAI

 

1865

 

PRIMEIRA PESSOA A EXERCER A MEDICINA EM CACONDE

Registra a ata da Câmara, que em 29 de abril, foi oficiado ao Presidente da Província e junto com o qual, foram sete cidadãos se alistar como Voluntários da Pátria, na Guerra contra o Paraguai.

Em 29 de abril por Portaria Imperial é criada a Agência de Correio em Caconde, sendo o primeiro agente indicado João Pereira da Silva e substituto Joaquim Pereira de Souza.

A 23 de janeiro foi nomeado o primeiro secretário da Câmara Municipal, Antônio Roque de Souza Rodrigues.

 

A lei n.º 25, de 28 de março incorporou à Caconde o distrito de Sapecado (Divinolândia).

 

A primeira pessoa a exercer medicina em Caconde foi Manuel Augusto Alves Barbosa.

1867

PROFESSORES PÚBLICOS

Em 2 de setembro haviam tomado posse Bernardino de Almeida Gouveia Prata e Eufrosina Eugênia de Almeida como professores públicos e lecionavam na Vila ainda em 21 de outubro de 1869.

1868

 

A lei n.º 55, de 15 de abril incorporou à Caconde o distrito de Mococa.

1869

PE. JOÃO DA FONSECA MELO

PE. FRANCISCO CÂNDIDO CORREA

 

Segundo o arquivo paroquial, é pároco a partir de 30 de dezembro o Pe. João da Fonseca Melo. E a partir de dezembro desse mesmo ano o Pe. Francisco Cândido Correa. (*)

 

1870

PRIMEIRO ADVOGADO

PE. EVARISTO BRUNO DE CARVALHO

 

O primeiro advogado que se tem notícia em Caconde (não formado) foi o Professor Bernardino de Souza Gouveia Prata.

 

Segundo o arquivo paroquial, é pároco a partir de 22 de março o Pe. Evaristo Bruno de Carvalho. (*)

1871

PE. ANTÔNIO SANCHES DE LEMOS

A partir de 08 de março é pároco o Pe. Antônio Sanches de Lemos. (*)

1874

CRIAÇÃO DA “COMARCA DE CACONDE” COM SEDE EM SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA (ATUAL MOCOCA)

A 24 de março é sancionada a lei n.º 10, criando a Comarca de 1.ª Entrância de Caconde, compreendendo os termos de Caconde e São Sebastião da Boa Vista (atual Mococa). Criada a Comarca com o nome de “Comarca de Caconde”, porém a sede desta era em Mococa. A Comarca sempre foi Comarca de Caconde, a de Mococa é que foi desmembrada em 1892. A instalação da mesma se realizou no dia 14 de dezembro desse ano.

 

A 25 de setembro é aprovada uma denominação de nomes às ruas da cidade.

 

A Casa Grande da Soledade, onde funcionou como sede da Câmara Municipal e o Colégio Imaculada, já estava concluída nesse ano.

1875

FALECIMENTO DE JOAQUIM ALVES MOREIRA

Em 17 de janeiro Caconde possuía 15 quarteirões eleitorais e 315 eleitores.

 

A 16 de julho falece Joaquim Alves Moreira, um dos primeiros a entrar na região depois da decadência da velha Freguezia de 1775, achava-se instalado na Fazenda da Conceição. Acompanhou de perto a evolução da idéia de reerguer a povoação. Foi o primeiro escrivão da vigararia da Vara. Serviu no cargo de primeiro Juiz de Paz, tendo feito parte da primeira Câmara Municipal eleita em 1864.

1879

CEMITÉRIO ANTIGO

PROVISÃO DA EREÇÃO DA CAPELA DO ROSÁRIO

Segundo Campanhole, o cemitério (antigo) já se encontra no local em que está atualmente.

 

Doado o terreno em 25 de março por Antônio José Ramos e sua mulher Esméria Maria de Jesus, foi dada em 9 de setembro a Provisão para ereção da Capela do Rosário por Dom Lino Deodato.

1880

IMIGRANTES ITALIANOS

 

Antes mesmo desse ano as primeiras famílias de imigrantes italianos se radicaram em Caconde.

1882

ILUMINAÇÃO PÚBLICA

(LAMPIÕES DE RUA)

Foi inaugurada a iluminação pública no dia 4 de junho às 19 horas. A iluminação era feita por trintas lampiões.

ELEVAÇÃO DE CACONDE À CATEGORIA DE CIDADE

 

PE. JOSÉ TOMÁS ANCASUERD

 

DIVISÃO DA FREGUEZIA EM DOIS TERMOS

 

 

 

 

1883

 

COMENDADOR UMBELINO

 

 

 

A lei n.º 10, de 9 de março eleva a Vila de Caconde à categoria de cidade.

A partir de 16 de abril é pároco o Pe. José Tomás Ancasuerd. (*)

A 23 de maio, a Câmara de Mogi-Mirim delibera que "a Freguezia de Caconde que compreende o termo de seis léguas em quadra dividida pelo Rio Pardo a meio, é dividida em dois termos".

 

A “Revista Ilustrada” do Rio de Janeiro, ano 13, n.º 529, de 29 de dezembro publica os seguintes versos, assinados pelo Padre Correia de Almeida:

 

“O governo deu comenda

por serviços relevantes

a um herói de Caconde,

herói digno de Cervantes.

Foi-lhe feita essa encomenda

 por intermédio de um Conde.

Mas quando o condecorou

até o conde corou.

 

Provavelmente a partir desse ano que José Umbelino Fernandes Júnior recebeu a sua comenda. Daí por diante passa a ser conhecido apenas por "Comendador" e assim também se assinava.

1884

DESMEMBRAMENTO DA PARÓQUIA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO (DIVINOLÂNDIA)

É desmembrada da Paróquia de Caconde, a Paróquia do Divino Espírito Santo (Divinolândia) a 25 de janeiro. (*)

1886

PENA DE MORTE

A população é estimada em 9.177 habitantes.

Em 25 de junho o juiz municipal 1.º suplente comunica que o júri da Vila condenara os réus Domingos, escravo do cap. Vicente Ferreira Pinto à pena de morte.

1887

 RELÓGIO DA MATRIZ

A lei n.º 40, de 8 de maio incorporou à Caconde o distrito de São José do Rio Pardo.

 

Lê–se na ata da Câmara de 14 de maio que o relógio da Igreja Matriz estava desconcertado, para o qual a Câmara dispensa a ajuda à Fábrica da Igreja, de dez mil réis para conserto.

1888

LEI ÁUREA

 

A libertação dos escravos não teve nenhuma repercussão na Câmara, nem manifestações alegres ou tristes.

1889

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

A República é proclamada em 15 de novembro.

Em 23 de novembro toma posse os republicanos elegendo o Governo Provisório, que constituiu-se ato arbitrário e nulo. Sendo a Câmara reposta em suas funções normais pelo governo.

1890

A REPÚBLICA

INSTALAÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE INTENDÊNCIA

A população é estimada em 9. 988 habitantes. Em 3 de julho eram 666 eleitores, divididos em 30 quarteirões.

Dissolvida a Câmara, pelo decreto estadual n.º 13, de 15 de janeiro de 1890, realiza-se a posse do Conselho de Intendência em 27 janeiro.

1ª MISSA NA CAPELA DE SANTO ANTÔNIO DA BARRA

1893

PRIMEIRA ESCOLA DO SEXO MASCULINO

A 2 de julho teve lugar a Consagração da Capela de Santo Antônio da Barra, pelo Rev. Padre Elias Álvaro de Morais Navarro, vigário de Cabo Verde que ali celebrou a 1ª missa na Capela.

 

A 2 de agosto é instalada a primeira escola para o sexo masculino em Caconde pelo professor municipal Joaquim Pereira de Souza, que começou a funcionar na sala da casa de Domiciano de Souza Dias.

1894

BENÇÃO DA CAPELA DO ROSÁRIO

Em 15 de maio, foi dada a Provisão de benção à Capela do Rosário, benta em 29 de maio do mesmo ano.

VISITA PASTORAL DE DOM JOAQUIM ARCOVERDE

 

 

PE LUIZ GONZAGA ALOCCHI

 

1896

 

 

 

 

De 21 a 25 de maio, visita pastoral à Caconde, de Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Bispo de São Paulo.

 

A partir de 27 de setembro é pároco o Pe. Luiz Gonzaga Alocchi. (*)

 

A lei n.º 452, de 12 de novembro incorporou à Caconde o distrito de Grama (São Sebastião da Grama).

A lei n.º 1.028 de 12 de novembro incorporou à Caconde o distrito de Tapiratiba.

1897

DR. CÂNDIDO LOBO

Passa a clinicar em Caconde o Dr. Francisco Cândido da Silva Lobo, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia.

1898

PE. MANOEL BENTO GONÇALVES

A partir de 17 de abril é pároco o pe. Manoel Bento Gonçalves. (*)

1900

 

ÁGUA ENCANADA

A atual Praça Cel. Joaquim José já era denominada Largo da Cadeia Nova.

 

Em principio deste ano, o abastecimento de água em Caconde já estava encanado.

 

Estes dados foram extraídos da obra “Memória da Cidade de Caconde”, de Adriano Campanhole, publicado em 1976. Os dados em (*) asteriscos foram extraídos dos Arquivos Paroquiais, pertencente à Paróquia Santuário Nossa Senhora da Conceição.  Procuramos apontar os dados mais importantes da História da Cidade, é possível que por algum descuido nosso tenhamos omitido algum dado, sendo necessário também omitir outros pormenores, para não tornar esta cronologia demasiadamente extensa, fugindo assim, de nosso objetivo principal que é facilitar a compreensão dos fatos que originaram a Paróquia e Cidade de Caconde.

 

“UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO

FADADO A PERDER A PRÓPRIA ALMA”

 ADRIANO CAMPANHOLE

                                                       Organização Sem. Ricardo Ramos.

 

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